quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Ensaio: Krautrock

Bem, estou iniciando este blog com um dos temas que mais me instigou neste ano de 2010. O Krautrock, um popular rock progressivo dos anos 70, foi reconhecido como um marco revolucionário na cultura alemã. A sociedade de época estava tentando criar uma identidade pura, fora dos padrões estabelecidos na era hitleriana que a viam com certo horror e repúdio. Desta vez, os alemães estavam se reerguendo das cinzas, através da cultura e da sua nova doutrina política. Foi neste contexto que grandes guitarristas inovaram a forma de interpretar o rock, incluindo novos conceitos dentro do ritmo frenético e constante do Kraut.
Fugia-se do padrão estabelecido pela música da época e adotava-se um método experimental, explorando os principais recursos da banda, como a guitarra, o sintetizador e principalmente a criatividade. Não preocupados com a mídia, com a repercussão das criações, os principais artistas do Kraut focavam numa nova concepção que através da arte era possível conquistar novos parâmetros. Um desses foi o espaço, e é claro com uma ajudinha das drogas eles atingiram essa meta de se distanciar no planeta terra e mergulhar entre os cosmos.
Suas letras bem afiadas e ácidas, seu ritmo embriagado pela lisérgica são as principais características de estilo musical. Algumas bandas adotam um rock mais espacial, com certa lentidão e monotonia no ritmo, mas não deixa de agradar por isso. Outros apelam para o eletrônico, incluindo muitos ruídos sonoros do sintetizador. Também tem aqueles que procuram não usar aparelhagem sofisticada, formam apenas o conjunto clássico do rock, mas inovam com a adoção da progressão barulhenta e exótica.
As bandas mais reconhecidas no ramo são: Can, Amon Düül (I e II), Ash Ra Tempel, Ashra (depois de Ash ra tempel ter desmembrado), Popol Vuh (recomendo), Cluster, Cosmic Jokers, Embryo, Faust, Guru Guru e Kraftwerk (mais conhecida pelas apresentações no Brasil).
Uma prova concreta das verdadeiras intenções do kraut está representado na obra "Seven Up" do grupo Ash Ra Tempel. Neste disco houve participação do psicólogo Timothy Leary que desvendou algumas verdades da mente através de experimentações delirantes. Um fato interessante em que Timothy relacionou suas teorias à obra criada do grupo musical. Através das líricas é possível identificar uma de suas teorias sobre a mente humana, dividida em sete ciclos ,segundo o psicólogo. O disco é composto de duas obras que abordam dois temas profundos que encaramos diariamente em nossas vidas. "Space" e "Time", respectivamente. com uma duração considerável, atingindo por volta de 20 minutos. Conforme você vai acompanhando a sequência de ruídos e majestosas levadas espaciais, é possível embarcar na viagem psicodélica que eles instituíram.